Criatividade e inovação na música

 Fabiana Pardini Blanco

Segundo o site da dgartes.pt, o ano de 2009 foi designado pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu como o “Ano Europeu da Criatividade e Inovação” (AECI). Os objetivos da Direção-Geral das Artes (DGArtes) e do AECI visa o estímulo à capacidade de criação e de inovação como pilares do desenvolvimento económico e social, em particular no âmbito das indústrias e cidades criativas, promovendo o alargamento do campo da atividade artística a novas formas, designadamente às que decorrem do desenvolvimento das novas tecnologias, assim como à colaboração ativa entre criadores e não criadores e ao cruzamento disciplinar.

A implementação das atividades no AECI encontra-se estruturada por Iniciativas Temáticas agrupadas em 8 áreas – Comunicar (iniciativa de desenvolver de forma criativa o uso da língua portuguesa e da literatura e reforçar a relação entre povos e culturas); Imaginar (iniciativa que desenvolve diversas formas de expressão artística); Aprender(iniciativa para reforçar o uso da criatividade no processo educativo e na aprendizagem ou que reforce a competência criativa); Inventar (iniciativa dedicada ao papel da ciência, tecnologia e do conhecimento humano); Criar (iniciativa que visa facilitar o desenvolvimento de ideias com potencial econômico e seu papel determinante na economia das cidades); Realizar (iniciativa que reflita a importância e aplicação da criatividade na iniciativa privada ou empreendedorismo como fator de desenvolvimento económico e criação de riqueza); Cooperar (iniciativa que resulte de novas soluções de organização social, quer vise combater a pobreza e exclusão quer promova uma maior cooperação comunitária) e por fim, Viver (iniciativa ligada à importância e aplicação da criatividade em contexto urbano e o sua contribuição para a melhoria das condições de vida dos cidadãos, bem como para a competitividade económica dos territórios/cidades).

O site dgartes.pt ainda afirma que no contexto da temática “Imaginar” e “Aprender”, foi inserido o espetáculo da Miso Music Portugal, “Contos Contados com Som – Teatro Electroacústico”, que foi criado para crianças dos 4 aos 12 anos e apresenta uma forma inovadora de contar uma história: apela à imaginação, aos ouvidos e sentidos, num espetáculo composto por histórias inéditas ou de escritores de renome. Os sons e a música estimulam a fantasia das crianças, completam o sentido semântico das palavras e permitem que elas se reportem para um mundo imaginário.

Esse espetáculo tinha como objetivo espelhar e dar a conhecer aos mais novos a influência da utilização da tecnologia na música de hoje, proporcionando o contato das crianças com a informática musical, estimulando a curiosidade pelos fenômenos do som e da música e promovendo o desenvolvimento musical ao nível da percepção auditiva e da criatividade.

Atualmente, com a globalização e a tecnologia, o mercado está cada vez mais saturado de produtos, serviços e competitividade, fazendo com que empresas e profissionais sejam obrigados a investir em criar, repensar, inovar e reinventar.

Ser criativo é ter a habilidade de gerar ideias originais, úteis e solucionar os problemas do dia-a-dia. Além de boas e novas ideias, devemos inovar, julgando valiosa uma nova ideia e colocando-a em prática. Porém, nem sempre a inovação é resultado da criação de algo totalmente novo, geralmente, é o resultado da combinação original de coisas já existentes.

Para inovar, rompa com velhos pensamentos, busque a revolução, comece a olhar para as mesmas coisas que os outros, mas ver e pensar algo diferente. Porque algumas inovações se estabelecem de novos usos para objetos e tecnologias existentes, como por exemplo: a internet prejudica cantores, bandas e grupos musicais, pois permite aos consumidores o acesso grátis a músicas, clipes, CDs e DVDs antes mesmo destes estarem em uma loja, não oferecendo benefício a eles. Porém, alguns artistas estão inovando e utilizando a tecnologia, inclusive a internet a seu favor.

De acordo com a “Anatomia da Cultura”, de Aldo Bizzocchi: “Todo profissional de cultura é um manipulador de linguagens dos mais diversos tipos, e seu objetivo é sempre criar um novo discurso, uma nova mensagem, a partir da combinação dos elementos básicos. Nesse sentido, podemos dizer que o compositor manipula e ordena notas musicais para compor uma melodia (…). Já na cultura, existe a liberdade de escolha. Ao compor uma música, o compositor tem diante de si infinitas possibilidades de combinações melódicas e harmônicas; no entanto, nenhum fator objetivo estabelece de antemão qual dessas possibilidades deve ser efetivada. O critério de seleção neste caso é totalmente subjetivo – e é legítimo que assim seja (…) em todos os casos temos um processo criativo não orientado ou condicionado por fatores externos ao próprio ato de criação”.

No site mudernage.com.br há uma matéria traduzida pelo próprio site, do David Byrne, ex-integrante do grupo Talking Heads (um dos pioneiros da cena punk/new wave de Nova York em meados da década de 1970) sobre “Estratégias de sobrevivência para artistas emergentes – e megastars”, onde David afirma: “Aquilo que se chama hoje de ‘Music business’ (o Negócio da Música), no entanto, não é o trabalho de produzir música. Em algum lugar do tempo e do espaço, isto se tornou o negócio de se vender CD’s em caixas de plástico, e isto vai terminar em breve. Mas isto não traz nada de ruim para a música e, certamente, nada de mal também para os músicos. Na verdade, com tantos meios de se alcançar um público, nunca existiram tantas oportunidades para os artistas que lidam com música.”

David explica que a tecnologia mudou a música no século XX, tornando-a num produto, uma coisa que pode ser comprada, vendida, comercializada e tocada novamente por quantas vezes quisermos e desta forma, cria-se a economia dentro da música. No entanto, nós sempre usamos a música como parte de nossa estrutura social: ao ir num show ou bares, passar a música de mão em mão ou via internet e em teatros sinfônicos. “Tudo isso acaba por trair um impulso considerado eterno de ter um contexto maior por trás de um pedaço de plástico.”

Byrne esclarece que o sistema envolvido ao longo do século passado para comercializar um produto, era através de gravadoras que bancavam suas gravações, porém existiam custos de manufatura dos produtos, de prensagem, envio e distribuição, mas agora, há diversas maneiras de se comercializar: a distribuição digital é grátis; um álbum pode ser feito em um computador simples. Isso reduziu o valor desses serviços para os artistas e para os consumidores.

Ainda na matéria, há uma entrevista com Brian Eno, produtor do álbum do Coldplay e compositor, este diz que estava entusiasmado com o ‘I Think Music’ (uma rede online de bandas independentes, fãs e lojas), e que estava pessimista sobre o futuro das gravadoras tradicionais, pois as vendas online eliminam muitas das despesas da gravadora.

David Byrne apresenta e elucida um modelo muito usado ultimamente, que é o de auto distribuição, no qual a música é autoproduzida e auto distribuída. Os CDs são vendidos nos shows e apresentações da banda e através de websites, como por exemplo o MySpace, onde a banda compra ou pega emprestado um servidor e lida com suas vendas via download. Com esse modelo, os artistas possuem total liberdade criativa e não se torna dependente de gravadoras. “Além disso, o artista fica recebendo a maior porcentagem de renda a partir das vendas por unidade, que faz isto para si mesmo, fazendo mais dinheiro do que o pop star de primeira grandeza, mesmo que os números de venda sejam minúsculos se forem comparados”, completa.

Um exemplo de banda, citado pelo autor, que inovou e adotou este modelo foi o Radiohead, que lançou seu mais recente álbum “In Rainbows” via internet e eles foram mais além, deixando seus fãs darem o seu próprio preço pelo download. Existiram várias criticas que alegaram que eles retiraram o valor de sua música entregando-a por nada, mas um dos empresários da banda, o Bryce Edge, afirma que, na verdade, eles ‘pediram’ ás pessoas que dessem um valor às músicas, o que, para eles, tem um significado totalmente diferente.

Há outros exemplos de ‘artistas inovadores’, como a cantora Fergie, integrante do grupo Black Eyed Peas, que ‘assinou’ um modelo de celular da marca Motorola e que vem com suas músicas incluídas no aparelho. Exemplos recentes como Britney Spears e Lady Gaga, também inovaram disponibilizando seus videoclipes e faixas de músicas em seus sites antes mesmo deles serem lançados na televisão.

Até mesmo, em sites como YouTube, há possibilidade de qualquer pessoa se tornar ‘conhecida’ apenas por publicar algum vídeo seu, seja cantando, dançando ou qualquer outra atividade, e ter um grande número de exibições, que o vídeo passa de pessoa para pessoa e pode até chegar a ser exibido em programas de TV.

Com a tecnologia, há inúmeras formas de anônimos se tornarem ‘famosos’ e de artistas se divulgarem na mídia e se aproximarem de seus fãs, eles têm apenas que criar, inovar e arrumar maneiras de usar a tecnologia ou os meios de comunicação à seu favor.

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