Mercado musical cresce na noite santista

Fabiana Pardini Blanco

A cidade de Santos oferece diversos locais para todo o tipo de público, todos os gostos e todas as faixas etárias. A música embala as pessoas e para a sua escolha há muita coisa envolvida, pois varia de pessoa para pessoa e de situação para situação. Para alguns é entretenimento e para outros, ela é utilizada como instrumento de trabalho.

Um dos proprietários da Typographia Brasil em Santos, da Lucky Scope no Guarujá e cantor do Grupo Feitiço, Luiz Américo Mastellari Francisco, afirma que o mercado de trabalho para músicos vem crescendo bastante em Santos, porém de forma meio desordenada. Porque quanto mais casas, maior o número de músicos empregado, porém, atualmente, se tem mais casas do que público, e como conseqüência, as casas fecham depois de três ou quatro anos.

“Nesse ano, a Lucky Scope completará 18 anos e a Typographia Brasil, cinco anos. Quando montamos a Typographia tinha apenas nós e mais uma casa no centro de Santos, hoje, depois de quatro anos existem mais de 25 casas noturnas e dessas 25 conseguimos contar nos dedos de apenas uma mão as casas que estão bem.”

Para o Luiz Américo, a quantidade de locais com música e pouco público, causa a diminuição dos cachês dos músicos. Além disso, os locais que não estão bem financeiramente pagam mal seus músicos e fazem com que as demais casas diminuam os valores devido o aumento da concorrência. Para os clientes, é um aspecto bom, pois aumenta as opções e os preços diminuem, porém, perde-se na qualidade musical e a qualidade geral da casa.

Na Typographia, há exclusividade com o Grupo Feitiço e o Grupo Santo Samba nas sextas e no sábado, há revezamentos entre duas bandas todas as semanas. Já na Lucky Scope, o Grupo Feitiço e a Banda Carlos Bronson são fixos e há mais duas bandas que eles trocam todos os sábados para haver uma reciclagem. “Acho fundamental a casa ter a cara da banda, e acho fundamental que existam raízes dos músicos para com a casa”, diz ele.

Quanto ao pagamento dos artistas, Luiz Américo declarou que pagam ao final do show e os valores variam, entre R$800 até R$3.000 para a banda toda. Os cachês dependem do público que a banda ou grupo levam e do retorno que dão.

Em ambas as casas, eles não cobram consumação porque é contra a lei e acham mais justo com o cliente. “Mesmo sabendo que muitas casas cobram consumação, nós cobramos a entrada na casa, até porque na Typographia trabalhamos com duas a três bandas ao vivo por noite e na Lucky Scope com até cinco bandas ao vivo por sábado e dois DJ’s.”, finaliza.

Luiz esclarece que se de repente eles cobrarem R$ 20,00 de entrada e quatro reais em uma cerveja, ou seja, se o cliente tomar três cervejas e pagar um couvert de R$ 20,00, ele gastará R$ 32,00. Já numa casa que cobra consumação, eles embutem o couvert. Por exemplo, cobram R$ 30,00 de consumação mínima, mas na realidade a cerveja custa R$ 10,00, consequentemente, o cliente vai beber as mesmas cervejas que beberia em uma casa que cobra entrada.

O músico Lucas Tagore toca em diversos bares de rock, como o Studio Rock Café (Santos), Manifesto, Black More, Cerveja Azul e Kazebre (São Paulo) e o Vila Dionísio (São José do Rio Preto e Ribeirão Preto). Ele explica que como faz muito trabalho como ‘freelance’, que é um músico contrato que estabelece um preço e faz o trabalho que for, acaba tocando em diversos lugares, como Chopp Santista, Internet Bar, Torto Bar e até mesmo em baladas como a Lucky Scope. Juntando todos os lugares, diz que faz de dois a quatro shows por semana e, às vezes, até mais, ganhando por mês de R$ 1.200 a R$ 1.600. “Os shows acabam sendo um “bônus gordo” do mês”.

Além dos shows, ele leciona em duas escolas: no Studio Rock Music em Santos e no Strauss Music Hall em São Vicente, dando aulas de segunda a sábado, esses são os seus lugares fixos. Alega que não é uma vida fácil, pois é muito corrida e é necessária muita dedicação, fé e amor à música. Lucas conta que teve sorte porque a família o apoiou na carreira musical e sem este apoio, fica mais difícil. “É realmente uma profissão difícil, viver da arte é difícil, mas se colhe frutos lindos quando bem sucedido”.

Lucas alerta que se a pessoa quer viver de música, não pode ter a mente fechada, deve ser eclético, ou seja, tentar tocar e escutar um pouco de tudo. “Não vou mentir, minhas raízes são do rock. Mas toco de tudo um pouco, samba, bossa nova, pop rock, hip hop, disco, funk (americano), blues, jazz entre outros, e assim consigo viver de música. Quanto mais informação musical melhor para a formação do músico, pois mais indicações aparecerão e mais trabalhos também.”

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