Vivendo em uma realidade fictícia​

Para a Revista Arco/UniSantos – de Fabiana Pardini, Jéssyca Rolemberg, Juliana Vieira e Vanessa Luiz

Assumir uma nova identidade a ponto de ser idêntico ao personagem de um desenho animado – mesma roupa, mesmos gestos, uma caracterização impecável. Este é o mundo dos cosplayers. Os desenhos dos mangás (quadrinhos japoneses) e dos animes (animações específicas do Japão) e até dos videogames são as fontes de inspiração para esses fãs que levam a admiração tão a fundo que trazem personagem fictícios à vida real.

“Se eu não for de cosplay para um evento, eu não me divirto”. Confessa a estudante Iriane Sedky, de 19 anos.  Desde o início da adolescência, ela nutre uma paixão profunda pelo mundo dos animes, mangás e games.

No Anime Summer Plus, em Santos, Iriane é a vampira Marceline, do seriado animado Hora de Aventura. A cosplayer de São Vicente é uma verdadeira celebridade na feira, que acontece duas vezes por ano em algum colégio santista. Desconhecidos param para admirar a jovem. Alguns conversam com ela e elogiam a sua imersão na personagem.

Para Iriane, os comentários fazem valer o longo tempo de preparação para o evento. Primeiro, o corpo todo precisa ser pintado de cinza. A maquiagem – uma mistura de pancake preto e branco – dá ainda mais veracidade à figura da vampira Marceline.

Durante o processo de pintura do corpo, Iriane não esconde a apreensão com o resultado. Há sempre o risco de a maquiagem não fixar na pele e a personagem não ficar com a cor certa.

Além do nervosismo com a possibilidade de não obter um resultado visual convincente, a cosplayer tem que se preocupar em incorporar o espírito adolescente de Marceline. “Enquanto estou me arrumando, tento ir entrando no clima da personagem”. Normalmente, a preparação é bem mais tranquila. Iriane está acostumada a se fantasiar dos mais diversos personagens de videogames e animes. A diferença, desta vez, é a experiência inédita de dar vida à estrela de um seriado.

Aline Figueiredo, 19 anos, também fez uma escolha desafiadora. Pela primeira vez, encarnaria Maka Albarn, do anime Soul Eater. A escolha foi pela identificação com a personagem, uma de suas favoritas. “Eu resolvi ir em frente porque gostava dela e também porque todo mundo diz que eu pareço bastante com a Maka. Então, ficou mais fácil”, revela.

Pelo resultado, não é difícil concluir que Aline acertou ao seguir sua intuição. O figurino de estudante japonesa, coberta com um sobretudo preto, tornou a jovem uma réplica viva do que se vê nas telas.

Aline conheceu a cultura japonesa aos 15 anos, apresentada por um namorado. O primeiro anime que ela assistiu foi Sakura Cardcaptors. “Eu me apaixonei. Hoje, não vivo sem cosplay”.

A cosplayer é uma das personagens mais tímidas, apesar de sua semelhança ser comentada e chamar a atenção de diversos participantes, que a param para fotografá-la a todo o momento.

Para produzir a roupa igual a da personagem escolhida, a jovem teve mais facilidade “No meu caso, eu comprei os tecidos e minha mãe fez porque ela costureira. Então, ela mesma fez a roupa pra mim”.  Ela conta que além da opção de mandar fazer a roupa, dá para comprá-las prontas em lojas de fantasias.

Quanto ao preconceito com anime, Aline diz que entre as pessoas que não frequentam e não gostam da cultura japonesa há sempre um preconceito, pois elas dizem “a pessoa tem tantos anos e ainda vê desenho”, mas ela se defende: “mas não é pelo desenho, é pela história que a gente se interessa. Então, querendo ou não, tem preconceito para tudo”.

Em meio ao evento, um casal se destaca. Além de suas fantasias, réplicas perfeitas de um Samurai e de uma bela Lolita, personagem que lembra uma boneca nos animes japoneses, a “experiência” de David Daniel dos Anjos Mota e Lourdes Mota é o diferencial.

O paulistano David Daniel, que é web design, comenta que desde a infância, seu gosto pela cultura oriental já começava a despontar. “Sempre gostei de desenho japonês, gostava das roupas, sempre diferente, a cultura é diferente e um dia a gente quis fazer”, relembra.
Sua roupa parece ter saído diretamente de um filme de ação, daqueles no estilo Jack Chan. Entre os garotos, David é um verdadeiro sucesso, sendo parado a cada minuto para uma foto ou um simples elogio.

Para a decoradora Lourdes Mota os eventos e toda a fantasia que permeia o mundo dos cosplayers é uma maneira de fugir do dia a dia e da rotina estressante. “É uma forma da gente desestressar, se vestir, passar um fim de semana diferente, rindo no meio de um monte de gente jovem, brincando, conversando, trocando ideias, falando de revistas, de jogos também”, afirma.

Com diversos babados na cor rosa e todos os detalhes femininos, Lourdes é transformada em uma verdadeira boneca e acaba virando o xodó das meninas durante o Anime Summer.

Além do sucesso no evento, as fantasias de cosplayers serão reconhecidas no “Concurso de Cosplays”, que acontecem na maioria dos eventos de Anime. Na competição, os cosplayers sobem no palco para se apresentarem, de diversas maneiras, na frente de uma plateia e de uma equipe de jurados, que escolhe o melhor conjunto: fantasia e interpretação. Além disso, os cosplayers são elogiados, ovacionados e até mesmo acompanhados pela plateia nas frases e gestos que representam seus personagens.

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